Compreender o efeito bolha de conteúdos no Facebook

Criado: 2 de Junho, 2019 Redes Sociais

Recentemente com a criação do Nónio (recuso-me a criar uma hiperligação a esse lixo) foi abordado de uma forma mais objectiva e clara em alguns fóruns de discussão o que é o efeito bolha de conteúdos.
Neste artigo vou tentar explicar de uma forma simples e directa.

Para isso vou assumir o exemplo que o utilizador do sexo masculino tem 33 anos com um perfil:

  • Gosta de futebol e é do Sporting
  • Acha graça a piadas “porcas” e é machista
  • Não percebe muito de política mas considera que todos os políticos são gatunos
  • Tem dificuldade em relacionar-se com mulheres

Ele criou o Facebook há 2 anos e começou por adicionar amigos e colegas que conheceu na vida real.
Muitos deles têm em comum a escola primária e secundária que frequentaram, são da mesma cidade natal que ele e têm vários amigos em comum.
Neste periodo o Facebook “percebeu” que é provável que sejam contactos que realmente ele tem fora da rede social pelo que referi em cima.

Uns meses depois começou a entrar em grupos dos interesses que tem (futebol, piadas porcas, etc) e foi adicionando várias pessoas que apesar de terem interesses em comum não tinham amigos em comum.
Com estes contactos ele não interage tanto em mensagens privadas como os primeiros que estabeleceu (os tais prováveis amigos) mas partilha bastantes publicações e interage mais com gostos ou outras reacções.
E assim continuou durante um ano e meio, a partilhar e interagir mais com este tipo de “amigos” do que com os outros.

O perfi dele foi definido durante 2 anos

Quando referi que o Facebook “percebeu” estou a dizer que algoritmos (sem querer complicar demasiado) que o Facebook vai melhorando ao longo do tempo, conseguiram compreender e indicar o que assumi.
Então o Facebook começou a definir o perfil dele e ao fim de 2 anos o feed dele mudou bastante desde o primeiro dia que se registou no Facebook.

A amiga Joana com quem ele estudou é activista dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTI. O Facebook mostra-lhe no feed quando ele faz anos mas não mostra quando ela vai a uma marcha contra o machismo, para evitar que ele não goste.

O amigo Cabral com quem ele costuma jantar várias vezes aparece-lhe sempre que partilha um artigo de Futebol ou quando tira uma fotografia ao prato que está a comer (o Facebook consegue distinguir uma fotografia de um prato de comida), mas não lhe aparece os artigos que ele partilha de política, ou os poucos que aparecem são críticas e escandalos que tantas vezes são tendência nas redes sociais.

O que acaba na verdade por consumir este utilizador?

Já reparas-te que ele só consome conteúdos “adequados” a ele?
Podemos dizer que o Facebook lhe criou uma bolha com tudo o que ele gosta e o deixa contente, não o deixando ser contradiado nem pensar fora da caixa.

Agora pensa em alguém que está a passar por uma depressão. Esta pessoa partilha várias publicações de páginas com frases deprimentes e que indicam que a pessoa está mal emocionalmente.
Sempre que ela entra no Facebook é estes conteúdos que vai vendo.

Qual é o motivo de o Facebook fazer isto com os seus adorados utilizadores (clientes)?

Estas bolhas são perigosas e só existem por um único motivo: manter o utilizador o máximo de tempo no site.

Porque haveria o Facebook de mostrar conteúdos com os quais discordamos e não gostamos se isso aumentaria a probablidade de sairmos do site?
Há muito que oiço dizer que quando algo é gratuíto, o consumidor é o próprio produto.

O Facebook tem receitas de publicidade e é nisso que se foca: vender o máximo de publicidade.
Para isso tem de distinguir bem os seus utilizadores e apresentar-lhes conteúdos que eles gostem.
A publicidade evoluiu bastante e os promotores acompanharam essa evolução. Já não se publicita apenas produtos para uma compra directa, eles publicitam um artigo onde abordam um tema e de uma forma suave tentam levar o leitor a comprar o produto.

Neste artigo dei como exemplo o Facebook começando por referir o Nonio que é um lixo. Não se registem nessa plataforma e façam boicote aos sites que aderiram à mesma.

Uma observação sobre o Facebook e redes sociais no geral

As redes sociais deveriam existir para o que o próprio nome indica: socializar.
No entanto não é isso que o Facebook e outras nos apresentam.

Eu não considero mau usar o Facebook, eu próprio tenho uma conta, mas o consumir conteúdo do feed dele é mau e isso não faço.
Vou ao Facebook e no meu feed tenho artigos de informática, programação porque a minha pegada digital é enorme e a Google fez o favor de me “marcar” para o resto da vida.

No entanto não perco tempo a ler anedotas ou conteúdos “interessantes”. Não uso a app do Facebook nem interajo muito com os meus amigos por lá.

Tenho a conta aberta porque gosto de visitar o perfil de pessoas que conheço e principalmente porque quero que quem se preocupa e goste de mim vá tendo actualizações minhas.

Nota: O conteúdo deste blog é exclusivamente para ajudar e partilhar conhecimentos.
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